12 de jun de 2010

A CONFIRMAÇÃO DA FARSA, SEIS ANOS DEPOIS


O ex-deputado Marcio Bittar me ligou na tarde desta sexta-feira para contar que participou, ontem, do ato público promovido pelo governador de Mato Grosso do Sul, André Pucinelli (PMDB), em favor da candidatura Serra. O presidenciável tucano, mesmo atacado de forte sinusite, foi ao Estado receber a homenagem e gozar da aliança de um dissidente peemedebista. Bittar, que está em Campo Grande, foi ao aeroporto recepcionar Serra e sua comitiva a convite da senadora e amiga Marisa Serrano (PSDB-MS).

Entre os integrantes da comitiva serrista estava ninguém menos que o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), responsável pela onda de denúncias contra o governo petista. Jefferson, para quem não se lembra, foi o responsável em detonar o esquema do "mensalão", assim designado o pagamento, pelo governo Lula, a deputados em troca de apoio na Câmara Federal.

Bittar e Jefferson conversaram durante o ato público. O primeiro lembrou ao segundo as eleições de 2004, quando enfrentou nas urnas o petista Raimundo Angelim. No páreo esteve ainda o ex-deputado José Bestene, que acabou conhecido pelo bordão "bananas do mesmo cacho, farinhas do mesmo saco". A frase foi dita em um debate na TV, e era dirigida aos candidatos do PPS e PT.

Marcio Bittar queria saber do próprio Jefferson os detalhes de uma história revelada por ele no programa do Jô, da Globo, logo depois das denúncias do mensalão e reproduzida, se não me engano, no livro "Por Dentro do Governo Lula", da jornalista Lucia Hippolito. Na entrevista, Jefferson contou que o PTB fora instado, por Jorge Viana e José Dirceu, então ministro da Casa Civil, a apoiar a candidatura laranja de José Bestene, para tirar votos de Bittar, como de fato aconteceu.

Roberto Jefferson confirmou a história, o que demonstra que Bestene, sim, era a banana do mesmo cacho petista. "Quer dizer que foi a você, Marcio, que nós prejudicamos nessa história?", indagou o petebista, brincalhão.

Depois das eleições de 2004, Bestene virou parceiro comercial da prefeitura de Rio Branco e do governo estadual. Os negócios dele vão de vento em popa, mas ele não se dá por satisfeito. Quer voltar ao poder, e por isso será candidato a deputado estadual nas eleições de outubro. Que Deus, então, nos proteja.
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