16 de nov de 2010

Sonhos e desilusões de quem vive ao longo da BR 364

Há quatro décadas, no dia 2 de fevereiro de 1960, em meio a uma reunião com os governadores dos estados do norte, o Presidente Juscelino Kubitschek decidiu construir a então BR-364 ligando Cuiabá à Porto Velho e Rio Branco, abrindo o oeste brasileiro. Antes, para chegar em Porto Velho só era possível através de trem pela Estrada de Ferro Madeira-Mamoré a partir de Guajará-Mirim, de balsa a partir de Manaus ou de avião. O transporte rodoviário era inexistente.

40 anos depois, essa realidade ainda é enfrentada pelos moradores de Cruzeiro do Sul. Hoje (14), até mesmo a comunidade de Manoel Urbano, município localizado na região do Purus está isolada. Vencer os desafios da rodovia entre o km 45 ao 60, trecho contratado pela empresa ETAM, tem sido uma rotina na vida de caminhoneiros que ainda se aventuram nesta época do ano para deixar mercadoria mais barata aos comerciantes ao longo da BR.

- Nós temos 12 caminhões esperando a estiagem do tempo para irem até Cruzeiro do Sul, mas hoje a estrada está fechada – informou José Carlos, gerente do Deracre em Sena Madureira.

Doze anos depois, a maior promessa política da Frente Popular do Acre, continua sendo a conclusão das obras da BR 364. O tema foi um dos principais debates da disputa eleitoral deste ano e a vitória do candidato Tião Viana em todos os municípios às margens da rodovia, lhe garantiu a eleição para governar o Estado por mais 4 anos. Com ela, a promessa de milagre econômico para quem vive isolado no período de novembro à junho todos os anos.

Na conclusão do governo de Binho Marques, a revelação de mais de 1 bilhão de reais que estão sendo investidos na construção da BR foram publicadas em harmônico relatório do Tribunal de Contas da União, que apresenta como contrapartida ao sonho de milhares de acreanos, o superfaturamento de mais de R$ 30 milhões nos preços contratados por Jorge Viana [PT] e Binho Marques [PT], durante 12 anos de execução da rodovia.

Entre as irregularidades contratadas, estão a Execução de serviços com qualidade deficiente, sobrepreço, superfaturamento e o mais grave: pagamento de serviços não realizados, um crime que antes era condenado pelas administrações petistas. O Governo do Estado, segundo o relatório, descumpriu determinação exarada pelo TCU e continua executando  serviços com qualidade deficiente.

Dos R$ 500 milhões gastos somente com a construção de pontes, uma delas a do Rio Caeté, teve um das pilastras comprometidas e foi interditada. A ponte foi construída no km 10 da BR 364, no trecho entre Sena Madureira e Manoel Urbano. O governo impediu que uma CPI fosse criada na Assembléia Legislativa e até hoje, não deu explicações públicas sobre os reais motivos que levaram o comprometimento da obra. A ridícula justificativa de que um terremoto teria abalado a estrtura da ponte virou motivo de piada na Assembléia Legislativa do Acre.

A BR 364 segundo a equipe de transição do governador eleito Tião Viana (PT), será uma das prioridades. Mas segundo técnicos e engenheiros que trabalham nos trechos, a rodovia dificilmente será concluída em 2011, como garante o governo.

- As condições climáticas é que vão determinar o dia em que a rodovia será fechada definitivamente – garantiu José Carlos.

A idéia é permitir o tráfego até o município de Feijó e manter o trânsito de caminhões até o município de Manoel Urbano [se o dinheiro continuar sendo liberado], diminuindo assim, o sofrimento e o isolamento de milhares de famílias. Segundo Túlio Oliveira, caminhoneiro experiente que conhece o trecho na palma da mão, uma viagem com chuva na região, pode significar atrasos de até 72 horas.

Três mil e quinhentos homens trabalham nos trechos contratados através de 10 Planos de Trabalho. Ao todo são 1.400 máquinas em toda região.

Jairo Carioca – da redação de ac24horas
Js.carioca@hotmail.com
Rio Branco, Acre