26 de jul de 2010

BOCALOM APRESENTA ALTERNATIVAS PARA O ACRE

Produção, interiorização das indústrias e auto-desenvolvimento. É munido com essa tríade semântica que o candidato ao governo do Acre Tião Bocalom (PSDB) começou sua batalha rumo ao Palácio Rio Branco. Paranaense de nascimento e acreano por opção, politicamente traz em sua trajetória vitórias expressivas. Teve o nome aprovado nas urnas para o cargo de prefeito por três vezes, e exerceu o cargo de Secretario de Agricultura de Estado.

Acreditando nas potencialidades da região e na força produtiva dos acreanos, Tião Bocalom faz duras críticas ao modelo de desenvolvimento econômico e social em curso no Acre.

A seu ver, a “florestania” está formando uma massa de excluídos por não oferecer alternativas capazes de elevar a qualidade de vida das camadas menos favorecidas da população. Tomando como base dados do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), o pré-candidato mostra que 62.000 famílias acreanas vivem abaixo da linha da pobreza.

“Estamos lidando com modo de governar proselitista, favorecedor de amigos e ultrapassado”, dispara Bocalom, cuja campanha aglutina uma inédita frente de oposição composta por oito partidos.

Candidato a governador em 2006 e a prefeito de Rio Branco em 2008, Bocalom acumulou índices de aceitação, aliados e experiência. Com forte prestigio junto ao tucanato nacional e jeitão de homem do interior, carrega na bagagem o know-how de quem sabe fazer e desmistifica o conceito produtivo e de modelos de desenvolvimentos apregoados pelo candidato da situação. A agroindústria, na sua concepção, pode vir a ser um grande “filão” capaz de alavancar a nossa economia. “Temos condições ambientais e climáticas favoráveis para a produção de matéria prima para as indústrias. Além de frutas no Juruá e o Urucum, podemos produzir grãos no Vale do Acre, fazer investimentos na produção de café, incentivando inclusive a produção orgânica. A criação de porcos na região do Envira em Feijó e porque não falar no algodão, como já fizemos experiências em Acrelândia”, vaticina, acreditando ser possível conciliar desenvolvimento com respeito aos recursos naturais.

Embalado pela aceitação popular e também “puxado” pela campanha do presidenciável tucano José Serra, percorreu o Estado em companhia de correligionários e simpatizantes o qual foi intitulado “caravana da mudança”. Para Bocalom, os acreanos estão acometidos por dois sentimentos díspares: revolta e esperança. “A revolta é por causa do abandono, do descaso. A esperança, porque temos homens e mulheres lutando por um Acre melhor e por um povo mais feliz”.

A Tribuna – Por que o senhor quer ser governador?
Bocalom – Para colocar o Acre em um outro patamar de desenvolvimento. E desenvolvimento é mudança na qualidade de vida das pessoas, onde o ser humano é respeitado em diversas áreas de sua vida. Quero ser governador para fazer tudo diferente do que está aí. Nem os povos indígenas são respeitados ou muito menos assistidos por esse governo.

A Tribuna - Qual é o modelo de desenvolvimento que o senhor e o PSDB defendem para o Acre?
Bocalom – A nossa proposta é fazer uma grande mudança nos procedimentos políticos e administrativos em nosso Estado, onde o ser humano passará a ser o centro da atenção do governo. Facilidade, bem estar, realização de sonhos, plenitude não se confundem com comer, beber e dormir. Isso é apenas sobrevivência. Com o governo criaremos políticas públicas para dar oportunidades, ou seja, gerar empregos e oportunidade de trabalhos para as pessoas espalhadas por todo o Estado. Para isso, vamos aproveitar as potencialidades da nossa região.

A Tribuna - Se o senhor diz que o atual modelo econômico não deu respostas, qual seria a sua proposta para alavancar a economia acreana?
Bocalom – Existem algumas áreas no extrativismo que são viáveis. A madeira, por exemplo, pode ser explorada racionalmente e gerar divisas. Mas é preciso industrializá-la aqui na capital e no interior do Estado, agregando valor ao produto. Precisam de políticas de governo para atrair empresários que queiram investir neste setor. Nós, a título de exemplo, podemos fazer reflorestamentos com o ‘mulateiro”, que pode ser o eucalipto da Amazônia recuperando áreas degradadas e em pastagens, fazendo sombreamento, e pode ser consorciada com outras culturas. Também é preciso explorar a nossa flora nos ramos de cosméticos e fármacos. Eu defendo o que o saudoso economista Celso Furtado chama de autodesenviolvimento, isto é, primeiro se produz no setor primário (agricultura), depois se industrializa o produto e finalmente aquece-se o mercado com o comércio e a exportação desses produtos. Isso é uma cadeia produtiva. Mas, veja bem, é preciso levar as fábricas para os municípios, pois o crescimento pode vir do interior para a capital.

A Tribuna - A agricultura e o agronegócio são viáveis para a nossa região?
Bocalom – Eu diria que são fundamentais. Temos terras boas que necessitam apenas de correção com calcário, fósforo, potássio, dentre outros. As terras do centro-oeste também não eram de pouca fertilidade? É preciso ‘domar’ a terra. Para isso existem técnicas de manejo para reposição do humos através da forragens e rotatividades de cultura para evitar o esgotamento do solo. Temos ainda um clima favorável que permite duas safras por ano. E, para finalizar, a topografia acreana permite uma boa drenagem do solo. Temos condições de produzir grãos e isso está sendo provado. O Estado precisa entrar com a pesquisa, assistência técnica, dar infra-estrutura para escoamento da produção, armazenamento e outros apoios ao produtor rural ávido por esses incentivos. Assim, além de gerarmos milhares de empregos, vamos ter alimentos para comer e exportar.

A Tribuna - Como surgiu a candidatura Tião Bocalom?
Bocalom – Quando fui candidato a governador, em 2006, comecei com um percentual e terminei com um aumento de 400%. Isso se repetiu nas últimas eleições para prefeito de Rio Branco. Esse gradativo crescimento nos deu crédito junto aos oito partidos que estão com a gente. Sou candidato a governador, indicado e apoiado por essas oito legendas.

A Tribuna - O que foi a “Caravana da Mudança”? Qual era o seu objetivo?
Bocalom – Foi uma caminhada por todo o Estado. O objetivo foi conhecer e ouvir as pessoas. Eram pessoas e representantes de partidos levando um novo projeto político para o Estado. Mostramos que a oposição estava unida, não em torno de um nome, mas sim por causa de uma proposta para o Estado e sua gente. E que não vimos? Os acreanos estão acometidos por sentimentos díspares: revolta e esperança. A revolta é por causa do abandono, do descaso. A esperança, porque temos homens e mulheres lutando por um Acre melhor e por um povo mais feliz.

A Tribuna - Qual a importância da implantação da Zona de Processamento e Exportação (ZPE)?
Bocalom – A ZPE é muito importante para o Estado, mas não será a tábua de salvação. Ela vai ganhar a isenção de todos os impostos estaduais e federais. Só que a nossa região não dispõe de materia-prima para abastecer essa industrialização. Nós vamos importar quase tudo dos outros estados. Se implantarmos uma fábrica de rádio, por exemplo, o alto falante, a caixa de som e os fusíveis terão que vir do mercado interno. Esses produtos vêm para cá todos isentos. Depois de montados, nós não podemos devolvê-los para o mercado interno, ou seja, necessariamente teremos que exportá-los. Qual é a minha dúvida? A oscilação quase constante do dólar pode trazer sérios problemas para quem exporta. Será que nós vamos competir com aqueles produtos que estão sendo industrializados na China, onde um operário ganha dez vezes menos do que o nosso? Com a mão de obra brasileira, que recebe os direitos trabalhistas, nós vamos competir?

Todavia, alguns produtos nossos podem dar essa resposta que estamos procurando. Mas veja bem, isso, repito, não será tábua de salvação. Eu espero que esse pessoal do poder não engane o povo, como aconteceu com a saúde de primeiro mundo.

A industrialização do Acre não passas necessariamente por isso aí. Passa necessariamente pela agroindustrialização. Se a gente não produzir mandioca, não vamos ter a fécula (amido) e, portanto, não podemos abastecer a indústria desse produto. A industrialização do Acre passará necessariamente pelo agronegócio.

A Tribuna – Saúde, segurança e educação são serviços essenciais no Estado Cidadão. Quais são as suas propostas para esses setores?
Bocalom – A saúde de primeiro mundo prometida é uma fraude. Tinha até um senador que disse que ia cuidar só da saúde, uma espécie de parlamentar temático. Andando pelo interior, no Jordão, por exemplo, ela é um caos. Aquela ambulância denunciada no Fantástico continua lá da mesma forma. Saúde de primeiro mundo onde a malária assola a população do Vale do Juruá. Os nossos pacientes esperam meses para fazer uma consulta ou marcar uma cirurgia. Nós vamos colocar médicos em todos os municípios, fazendo parcerias com todas as prefeituras. O nosso objetivo é manter o médico lá na ponta, diretamente com o paciente. A maioria dos hospitais do interior está abandonada e/ou sucateados. Não queremos ver o ser humano tratado com desdém como ele vem sendo tratado. Na educação nós vamos primar pela qualidade do ensino, pois nenhuma nação no mundo se desenvolveu sem investir maciçamente em educação. Vamos colocar todas as crianças na escola e erradicar o analfabetismo, tirando o Acre dos índices negativos das estatitíscas nacionais. O analfabetismo é um dos ítens do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Outra proposta é a escola em tempo integral, onde a criança e o adolescente ficam em atividade e esportivas e de lazer permanentemente. Também vamos colocar psicólogos e assistentes sociais para auxiliar os professores. A segurança pública é um problema sério. Nós temos um preso para cada 150 habitantes, enquanto no Rio de Janeiro é de um para 450. O Acre proporcionalmente tem mais preso do que um grande estado do Brasil. As maiorias desses presos são jovens, isso significa dizer que algo está errado. Precisamos criar emprego e renda como alternativas. De Assis Brasil até Plácido de Castro temos uma faixa de fronteira, e grande parte dela desabitada. É conhecimento público o tráfico de drogas, o descaminho e o contrabando, dentre outros ilícitos. Os governos estadual e federal devem olhar para essa região com mais carinho, fazendo investimentos para gerar trabalho para as populações que ali habitam. Deve haver a repressão sim, porém temos que oferecer alternativas.

A Tribuna – Os programas de inclusão social do governo federal são alternativas? O que o senhor propõe nessa área?
Bocalom – Com relação ao programa bolsa família, a turma do PT está dizendo que se a gente ganhar vai acabar com ele. Primeiro, eu quero dizer que não vou acabar porque foi juntamente nós, do PSDB, que o criamos. Era o bolsa-escola, o vale alimentação e o vale gás que se juntou e formou um só, que é o bolsa família. Como o PT não conseguiu que o fome zero desse certo, agora fica agindo de forma tacanha. No Acre, nós vamos ampliá-lo para que ele alcance mais pessoas.

A Tribuna - O Estado está endividado?
Bocalom – Sim, e muito. Endividaram o Estado em mais de dois bilhões de reais. Aonde esse dinheiro foi aplicado? Essa é a grande dúvida dos acreanos. Estamos comprometendo as futuras gerações construindo planetários, enquanto falta dinheiro para segurança e para a saúde.

Números
11 anos de governo petista, 400% foi o aumento da arrecadação própria, 300% foi o aumento nos salários dos cargos comissionados, 12% o reajuste nos salários dos servidores estaduais e 49% a inflação acumulada no governo florestal.
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