15 de mar de 2010

O índio pedreiro e dois Pinóquios em Harvard


Onze anos de propaganda petista não convenceram o kaxinawá Cláudio Alberto Nunes (foto) de que a florestania pode redimir da penúria os que vivem dentro da mata.

Cláudio, ou Hunikui Muru, como é conhecido pelos seus parentes indígenas, tem 27 anos e experiência profissional como ajudante de pedreiro. Ele mora outra vez na aldeia Boca do Grota, no rio Envira, após longa temporada vivendo na capital do Acre. O kaxinawá levou de volta à aldeia a convicção de que salário no fim do mês, ainda que oriundo de trabalho braçal, é bem melhor que a incerteza dos que tiram o sustento da terra.

Na Universidade de Harvard, Estados Unidos, para aonde foram o ex-governador Jorge Viana e o atual, Binho Marques, os ouvintes de uma palestra proferida pelos acreanos, na quarta-feira, souberam que o Acre é “modelo de desenvolvimento” para o resto do mundo.

O cosmopolita Binho Marques, já bem tarimbado em excursões internacionais, resolveu viajar também na maionese ao afirmar haver “um interesse impressionante sobre o Acre em todas as partes do mundo, especialmente nos centros de estudos". E emendou: "Todos querem entender por que o Acre conseguiu fazer tanto, em tão pouco tempo, com recursos escassos”.

Tenho uma questão simples a formular à dupla de pínóquios: como um governo que defende os povos da floresta explica que um índio prefira a dureza do trabalho de ajudante de pedreiro ao êxtase perpétuo de viver no seu habitat?

Ganha um dólar americano aquele que souber a resposta certa.

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