27 de jan de 2010

Zelaya deixa Honduras e vai para República Dominicana

Avião decola de Honduras levando Zelaya à República Dominicana

da Folha Online

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, deixou o país nesta quarta-feira, em um avião rumo à República Dominicana. "Voltaremos", disse Zelaya em entrevista à rádio Globo pouco antes de chegar ao aeroporto de Toncontín. O exílio indica o fim de uma crise iniciada com o golpe que tirou Zelaya do poder, em junho passado. Mais cedo, o novo presidente de Honduras, Porfírio Lobo, assumiu o cargo.

Efraín Salgado /Efe
Agentes de segurança hondurenhos chegam à embaixada brasileira para escoltar Zelaya


A aeronave que levava Zelaya, a mulher, Xiomara, e as filhas do casal decolou às 15h35. Com a viagem, acaba o confinamento de Zelaya na embaixada brasileira em Tegucigalpa, iniciado em 21 de setembro último, há mais de quatro meses. No aeroporto, um grupo de centenas de simpatizantes de Zelaya o aguardava para a despedida.

"Eu estou aqui para me despedir do meu presidente", afirmou a cabeleireira María Eduviges Alvarenga, 58, à agência de notícias Efe. "Nós vamos dar "tchau" a ele, mas ele voltará e, se conseguirmos realizar a Assembleia Constituinte, voltará a ser presidente."

Ontem (26), o encarregado de negócios Francisco Catunda Resende, diplomata brasileiro que ficou o responsável pela embaixada desde a entrada de Zelaya, afirmou esperar que o prédio retomasse seu funcionamento normal já segunda-feira (1º).


Efraín Salgado /Efe
Simpatizantes de Zelaya passaram o dia no aeroporto, esperando pela despedida dele


Zelaya foi deposto e expulso de Honduras por militares nas primeiras horas de 28 de junho do ano passado, quando pretendia realizar uma consulta popular sobre mudanças constitucionais que havia sido considerada ilegal pela Justiça. Ele foi expulso, com apoio da Suprema Corte e do Congresso, sob a alegação de que visava a infringir a Constituição ao tentar passar por cima da cláusula pétrea que impede reeleições no país.

Depois de passar três meses viajando pelo continente em busca de apoio internacional, voltou clandestinamente a Honduras e se abrigou na embaixada brasileira, a espera de um grande apoio popular que fortalecesse sua causa. A estratégia, contudo, não deu certo e Zelaya acabou com uma dúzia de apoiadores na embaixada e sem o apoio vocal e reiterado dos países boliviarianos e do Brasil.

O exílio marca o fracasso da diplomacia regional em tentar reverter o golpe, já que vários meses de negociações com o governo interino para a restituição de Zelaya no poder terminaram sem acordo. O Brasil, querendo demonstrar poder político na região, ofereceu refúgio a Zelaya, e seus seguidores transformaram a sede diplomática em um caótico acampamento sob cerco militar.

Arnulfo Franco/AP

Porfírio Lobo discursa após receber a faixa presidencial de Honduras, em cerimônia

O presidente interino, Roberto Micheletti, nomeado pelo Congresso no mesmo dia do golpe, se aferrou ao poder apesar da pressão internacional, o que incluiu a suspensão de ajuda financeira dos EUA e de organismo internacionais. Desde o momento do golpe, Micheletti dizia que só entregaria o poder ao presidente que fosse eleito em novembro passado --no caso, Lobo.

O novo presidente havia dito que acompanharia Zelaya até o aeroporto com o presidente dominicano, Leonel Fernández, e o presidente da Guatemala, Álvaro Colom.

Posse

Mais cedo, o presidente Porfírio Lobo tomou posse. Ainda durante a cerimônia, ele assinou o salvo-conduto que permitiu que Zelaya deixasse a embaixada rumo ao aeroporto sem correr risco de ser preso.

Em seu primeiro discurso após tomar posse, Lobo disse ainda que a anistia é o "princípio da reconciliação" e que se aplicará apenas a feitos de ordem política. "A família hondurenha quer se reconciliar", disse Lobo, eleito em uma votação contestada por muitos países, incluindo o Brasil, por ser realizada sob Micheletti.

Com agências internacionais

VÁ COM DIOS!!! Devia pelo menos pagar as despesas.